Agradeça por seu coração humano, Feyre. Tenha piedade daqueles que não sentem nada. (pág. 15)
Olá pessoal! Desculpa o atraso do post, que era pra ter saído ontem, mas as aulas voltaram e na segunda e terça tenho aula pela manhã e noite (então, imagina a correria!). Então, sem muitas enrolações vamos ao que interessa... Lembrando que para quem não leu o primeiro livro (especial aqui) e não quer pegar spoiler, aqui terá alguns do volume 1, mas sem spoiler do livro 2.

Aquela garota que precisava ser protegida, que desejara estabilidade e conforto... ela morrera Sob a Montanha. Eu morrera, e não houve ninguém para me proteger daqueles horrores antes que meu pescoço se partisse. Então, eu mesma o fiz. Eu não iria, não poderia abrir mão daquela parte de mim que despertara e se transformara Sob a Montanha.[...] Eu não era a garota humana que precisava ser paparicada e mimada, que queria luxo e facilidade. Não sabia como voltar a desejar essas coisas. A ser dócil. (pág. 135)
Primeiramente, a forma como a autora reconstruiu todos os personagens e principalmente a Feyre foi completamente incrível. No início desse livro ela nos mostra a protagonista tentando superar - sem uma ajuda significativa do Tamlin - os acontecimentos de Sob a Montanha. E a situação ainda fica pior quando ele a exclui completamente dos atuais acontecimentos, atualização ou decisões. A Sarah vai descrever, de uma forma surpreendente, situações como violência psicológica, depressão, ódio etc. E só então Feyre perceberá que ela mesma será sua própria salvação! Vai se reerguer, recuperar as forças e decidir o seu destino. 
[...]Estou pensando que era uma pessoa solitária e sem esperanças, e talvez tivesse me apaixonado pela primeira coisa que me mostrou um pingo de bondade e segurança. E estou pensando que talvez ele soubesse disso... talvez não conscientemente, mas talvez ele quisesse ser aquela pessoa para alguém. E talvez isso desse certo para quem eu era antes. Talvez não dê certo para quem... o que sou agora. (pág. 169)
A partir do momento que vemos a Feyre se tornar mais independente, as coisas começam a tomar um rumo diferente do imaginado. Descobrimos, junto com a própria protagonista, como sua vida funciona agora que ela se tornou feérica e está mais poderosa do que poderiam imaginar.
A vida é melhor quando você está por perto. E olhe como sua letra é linda. (pág. 281)
No dia do grande casamento, o Rhys aparece para cobrar o acordo feito com Feyre em Sob a Montanha e a leva para a Corte Noturna no meio da cerimônia. Após dois ou três meses cumprindo o acordo - uma semana do mês com Rhys em sua corte - Feyre percebe que a melhor opção para garantir sua recuperação é estar na Corte Noturna, e isso causa uma grande confusão. Lá ela aprende a escrever, conhece amigos verdadeiros e descobre que nem tudo que parece, realmente é. Nesse livro vamos encontrar muitos esclarecimentos, a exploração do romance é maior - e muito melhor - do que no primeiro, a dose de aventura também é bem mais alta do que no primeiro e o território feérico nos será apresentado de forma bem mais ampla.
Ele apareceu, uma figura sólida em meu mundo de fumaça e estrelas. (pág. 286)

Ele fizera isso para me manter distraída - me manter com raiva. Porque o ódio era melhor que sentir nada; porque ira e ódio eram o combustível duradouro na escuridão infinita de meu desespero. (pág. 307)

- Às pessoas que olham para as estrelas e desejam.
- Às estrelas que ouvem e aos sonhos que são atendidos. (pág. 356)
 Você você amar a intensidade do romance que há. Muito bem construído, com paciência, sutileza, realidade, maturidade, cuidado etc. A Sarah se mostrou uma escritora muito competente quando nos descreveu milhões de gêneros em uma trilogia só, e com muita maestria! Nos arrebata, toma nossos pensamentos e nos faz devorar os livros numa rapidez impressionante, simplesmente porque é aquele tipo de história que poderíamos passar o resto da vida a lendo.
Jantares em família; não reuniões oficiais da corte. E essa noite... ou não sabiam que eu estava ali para decidir se realmente queria trabalhar com Rhys, ou não tinham vontade de fingir ser qualquer outra coisa além do que eram. Sem dúvida tinham vestido o que quiseram - eu tinha a sensação crescente de que poderia ter aparecido de camisola e eles não teriam se importado. Um grupo singular, de fato. (pág. 178)
E o que falar dos outros personagens? Um dos pontos positivos dessa trilogia é que ela tem os protagonistas, mas a história não se trata apenas deles. Amren é a auto-suficiência em pessoa, incrível e amada e poderosa! Rainha! A Mor é uma mistura espetacular da sutileza, meiguice, poder e auto-confiança. Os guerreiros illyrianos mais amados desse mundo, Cassian e Azriel, são fortes, poderosos, confiáveis, não medem esforços para se sacrificar por aqueles - e aquilo - que amam. Junto ao Rhys, e agora a Feyre, eles formam a família mais linda e absoluta que você respeita. São tantos detalhes, histórias, personagens etc, que tudo contribui para tornar a história mais complexa, realista e incrível. Há uma riqueza de detalhes em relação a tudo, aos mundos, mitos, lendas, guerras, objetos mágicos, fendas entre os mundos, outras criaturas, os poderes, e é tudo tão perfeito que te envolve e parece que tudo aquilo existe de verdade. É uma trilogia mágica, envolvente, apaixonante, eletrizante! 

A Sarah simplesmente nasceu para ser escritora! Espero muito que venham milhões de outros livros dessa série Corte, com certeza ela deixou muito pano para manga caso queira continuar explorando essa história - inclusive outros shipps que eu quero muito! Então, Sarah, minha amiga, se você quiser lançar uma série de livros para cada personagem dessa história perfeita, publica mesmo! 

A família mais linda que você respeita! 💓

- Estou pensando - disse ele, seguindo o movimento de minha língua no lábio inferior - que olho para você e me sinto como se eu estivesse morrendo. Como se não conseguisse respirar. Estou pensando que a quero tanto que não consigo me concentrar na metade do tempo que estou com você, e este quarto é pequeno demais para que eu me deite com você direito. (pág. 494)

- Quero que saiba que - sussurrei - que estou quebrada, e me curando, mas cada pedaço de meu coração pertence a você. E me sinto honrada, honrada, por ser sua parceira. (pág. 555)

[...]e eu era dele e ele era meu, e éramos o início, o meio e o fim. Éramos uma canção cantada desde a primeira brasa de luz no mundo. (pág. 559)

Digo e repito: minha série favorita da vida! Rhys, crush supremo. Quem o supera?! Se vocês ainda não leram nada da Sarah J. Maas, já podem começar. Não vão se arrepender, eu juro!
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Ficção | 392 Páginas | Editora Galera Record | 2013 | Classificação: 4/5.
Sinopse: Nas sombrias e sujas minas de sal de Endovier, um jovem de 18 anos está cumprindo sua sentença. Celaena é uma assassina, e a melhor de Adarlan. Aprisionada e fraca, ela está quase perdendo as esperanças quando recebe uma proposta. Terá de volta sua liberdade se representar o príncipe de Adarlan em uma competição, lutando contra os mais habilidosos assassinos e larápios do reino. Endovier é uma sentença de morte, e cada duelo em Adarlan será para viver ou morrer. Mas se o preço é ser livre, ela está disposta a tudo.
Nesse livro iremos conhecer Celaena, quando está sendo levada da prisão - onde era escrava há cerca de um ano - pelo capitão da Guarda Real Chaol. Até então ela acha que será executada por ter feito uma rebelião na prisão há um tempo atrás. Mas quando chega na presença do Príncipe Dorian, descobre que na verdade estão lhe oferecendo um acordo para ser livre. O Rei de Adarlan está organizando uma competição, onde cada membro da Corte Real irá ser representado por um criminoso perigoso em uma competição, ao todo são 22 homens e uma única mulher: Celaena. O ganhador trabalhará como Assassino do Rei durante 4 anos e após isso terá sua liberdade legalmente. No meio de assassinos, ladrões e guerreiros, a perigosa jovem de 18 anos não irá revelar sua identidade de cara afim de ganhar vantagem contra os outros competidores. Nessa jornada, ela irá enfrentar muito mais que uma competição. Fará amigos, se apaixonará, descobrirá mais acerca de si mesma, verá que o Rei pode ser muito mais cruel e seu filho - o Princípe Herdeiro - mais doce do que imaginava, relembrará momentos do passado que ainda são cicatrizes abertas e tentará descobrir quem está assassinando misteriosamente - e cruelmente - alguns participantes da competição, o que só a trará mais perguntar de como esse assassino misterioso ainda consegue usar magia em um mundo que o Rei a anulou completamente.

Ainda assim, a imagem assombrou seus sonhos a noite toda: a linda garota que olhava as estrelas e as estrelas que a olhavam de volta.” 

A autora constrói e desenvolve a história da Assassina de forma que te deixa curioso e não dará descanso até você chegar na última página do livro - ou além disso. Não é nenhuma surpresa se depará com uma escrita fluída da Sarah J. Maas, nem como ela nos entrega histórias complexas e bem exploradas com maestria. Os personagens são extremamente bem pensados, o que ajuda muito na montagem da história, nos entregando um conteúdo de alta qualidade.

A forma que ela mostra Calaena, uma jovem assassina mas que também tem sentimentos intensos. Que curte aproveitar as pequenas coisas, de forma sensível e intensa - como o sol, ou a ideia de liberdade, de fazer coisas simples e bobas quando quiser. Isso torna a protagonista bem mais realista, sem contar que por ser uma mulher já dá a história uma singularidade particular, não é em todo livro que vemos uma protagonista forte e badass!

“Um coração corajoso é muito raro. Deixe que ele a guie.” 

As cenas de ação não são muitas, mas há muito suspense envolvido na história. Isso nos permite colocar a cabeça para pensar - muito - e criar várias teorias. Mesmo que eu tenha descoberto muitíssimos spoilers antes de ler a série, muita coisa ainda me surpreendeu. Apesar desse primeiro livro ser mais uma introdução de Celaena no reino, em uma posição influente, na história e em todo o contexto de acontecimentos.

“Que o campeão do rei seja alguém que entende o sofrimento dos inocentes.” 

O livro é realmente muito bom, bem escrito, construído, montado e pensado. O que me decepcionou um pouco na história é a forma como a autora deixou Celaena frágil e perdida demais. Ok, Celaena estava começando a ficar um pouco enferrujada por estar presa - mas por algum motivo ela era a melhor e mais poderosa Assassina do país, ou do mundo. Achei legal até o ponto que deixou a protagonista mais realista, como disse, mas talvez a autora tenha passado um pouquinho do limite. Quis muito ver essa sanguinária poderosa e temida, e na hora que eu mais esperei encontrá-la foi quando ela não é exibida. 

“Bibliotecas estavam cheias de ideias. Talvez as mais perigosas e poderosas armas.” 

Esse foi um ponto que me fez dar apenas 4 estrelas, mas isso não me impediu de querer muito continuar a série! Vale ressaltar que esse foi o primeiro livro escrito pela autora, quando tinha apenas 16 anos. Com certeza em 10 anos - o tempo que levou para ser oficialmente publicado - houve muitas alterações e melhorias, mas não deixa de ser uma primeira experiência. Que alias, deu muito certo! A Sarah com certeza nasceu para ser escritora! Ela tem uma criatividade magnífica, e como a coloca em palavras é ainda mais impressionante. Vale muito a pena dar uma oportunidade para esse livro (e série)!

“Tinha pulado do penhasco. Só restava torcer pela rede de segurança.” 

Ler ficção/fantasia tem me surpreendido muito. Eu tenho saído da minha zona de conforto e descoberto um gênero muito interessante. Às vezes, talvez pela falta de costume, fico um pouco cansada da leitura, mas espero que isso melhore com um tempo. Fora alguns detalhes pequenos e quase irrelevantes, adorei a leitura! Estou encantada com todo essa construção significativa de universo, deuses, crenças, canções, países, cultura, lendas etc. Muito bacana conhecer algo irreal, mas que ao mesmo tempo é tão realista. Uma leitura que te prende, cativa e te faz viajar de olhos abertos.

Espero que vocês tenham gostado, pois temos a continuação do Especial da série Corte de Espinhos e Rosas, na próxima segunda-feira, e na quinta pretendo liberar a resenha do volume 2 de Trono de Vidro (Coroa da Meia-Noite)! Será que estou apaixonada pelos livros da autora Sarah J. Maas? haha

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Olá pessoal! Esse mês teremos uma novidade aqui no blog: toda segunda-feira vai rolar um especial. Esse mês vou trazer para vocês a série Corte de Espinhos e Rosas da Sarah J. Maas, que inclusive está lançando o quarto livro em maio, e já estamos na torcida para a Galera Record trazer o mais rápido possível para o Brasil. No especial vou trazer minhas partes favoritas do livro, comentá-las, quotes etc. Vai ser uma resenha um pouco mais informal, e pode ter alguns spoilers (eu deixo uma alerta bem grande se tiver). Então, vamos lá? 
- Precisamos de esperança tanto quanto precisamos de pão e carne - interrompeu meu pai, os olhos vívidos por um raro momento. - Precisamos de esperança, ou não sobreviveremos. Então, deixe que ela mantenha a esperança, Feyre. Deixe que imagine uma vida melhor. Um mundo melhor. (pág. 27)
Encarei o primeiro livro mais como uma introdução ao universo criado pela autora. Temos uma pitada de romance, ação, aventura, suspense e drama. Uma das coisas que mais gostei é exatamente como a autora consegue misturar tudo isso sem perder o foco, ou se perder na história. Nos prende com sua narração detalhada, fluída e cativante. É extremamente interessante como ela consegue nos guiar durante toda a história, envolvendo e ligando-nos aos sentimentos de Feyre. Eu me envolvi tanto com a história que foi como se realmente eu fizesse parte de tudo aquilo, ou como se eu fosse a própria Feyre. Conhecendo um mundo novo e diferente, aventurando-me e vendo se tudo aquilo seria uma ruína ou salvação. Uma história super intensa.
Minha prisão ou salvação... não pude decidir. (pág. 54)
Durante quase todo o livro vemos a Feyre conhecer a Corte Primaveril, as festas, fazer amigos e inimigos, descobrir quais questões realmente precisavam ser respondidas, entender melhor o mundo acima da muralha, encontrar semelhanças e perceber as diferenças dos feéricos e humanos, e principalmente se conhecer, descobrir seus próprios limites e explorar novos sentimentos que surgem em seu coração. E tudo que é tão novo para nós, também é para ela, por isso por diversas vezes os sentimentos do leitor e protagonistas são intensos e misturados.
Não era totalmente minha culpa que eu mal conseguisse ler. Antes de nossa queda, mamãe negligenciara muito nossa educação, não contratara uma governanta. E, depois que a pobreza nos atingiu e minhas irmãs mais velhas, que sabiam ler e escrever, declararam que a escola da aldeia estava abaixo de nós, elas não se deram o trabalho de me ensinar. Eu conseguia ler o suficiente para me safar - o bastante para compor minhas letras, mas tão mal que mesmo assinar meu nome era vergonhoso. (pág. 123)
Apesar de ser uma releitura da Bela e a Fera, não é nada do que se pode esperar ou imaginar. As conexões são tão autenticas que às vezes você nem as percebe. Feyre não sabe ler, e é exatamente isso que a leva até os livros. Ela percebe a importância de conseguir ler e escrever, e resolve tentar aprender sozinha. Enquanto isso, há uma maldição cada vez mais forte se espalhando por Prythian (as terras feéricas), e que pode alcançar abaixo da muralha, as terras dos humanos, e prejudicá-los. Por isto, ela quer tentar escrever uma carta alertando o pai e as irmãs para que se cuidem.
- Primaveril, Estival, Outonal, Invernal, Crepuscular, Diurna e Noturna - ponderou a criatura, como se eu sequer tivesse respondido. - As sete Cortes de Prythian, cada uma governada por um Grão-Senhor, todas letais de seu próprio jeito. Não são apenas poderosas, são o Poder. (pág. 138)
Mais uma vez devo admitir que todo esse universo criado pela autora me deixa muito admirada. Já não é tão simples escrever um livro que se passa no mundo real, que conhecemos. Imagina escrever uma fantasia, sobre algo que está apenas na sua cabeça, fazer as pessoas compreenderam, interligar todas as pontas, desenvolver uma história em um universo totalmente novo e desconhecido. Mas sim, a Sarah fez isso com louvor! E conseguiu me fazer amar esse gênero fantasia e querer ler mais dele.
Sem contar na construção perfeita dos personagens, as revelações e desenvolvimentos de todos eles. A forma como os conhecemos através da visão da Feyre, nos apaixonamos, e depois conseguimos ter outra visão de alguns personagens, conhecendo-os de outra maneira, sem criar desgosto pela história. Apenas nos aproximando da realidade, que nem tudo é perfeito, e nos decepcionarmos com as pessoas é algo que acontece no "mundo real" da literatura.
Em geral, eu pintava do alvorecer ao crepúsculo, às vezes naquele quarto, às vezes no jardim. Os dias se condensaram. De vez em quando, eu fazia uma pausa para explorar as terras Primaveris com Tamlin como guia, e voltava com ideias novas que me faziam saltar da cama na manhã seguinte, para rabiscar ou anotar as cenas ou as cores conforme as avistara. (pág 179)
Muito legal a sensibilidade que a autora colocou na Feyre, mesmo depois de tanta coisa que ela passou. Esse detalhe do amor à pintura foi uma parte muito importante, que fez a personalidade da protagonista mais visível para o leitor. 
Aquele era um sonho muito bom. Jamais dormira tão maravilhosamente bem antes. Tão quente, aninhada ao lado dele. Calma. Ecoando baixinho para meu mundo de sono, ele falou de novo. - Você é exatamente como sonhei que seria também - sussurrou ele, o hálito acariciando minha orelha, e , depois, a escuridão engoliu tudo. (pág. 222)
O romance que há em toda a história, a autora prova para o leitor que a sua ótima escrita não foi um golpe de sorte, ela realmente consegue nos envolver em todas as partes. Seja como for, seja qual revelação seja feita, seja qual personagem conhecemos a fundo, ela só nos prende, envolve e nos faz querer mais.
Eu estava cheia de raios de sol. Era como se eu jamais tivesse experimentado o verão antes, como se jamais soubesse quem estava esperando para surgir daquela floresta de gelo e neve. Não queria que aquilo terminasse; eu jamais queria deixar o alto daquela colina. [...] Eu estava tão livre quanto um tufo de sementes de dente-de-leão, e Tamlin era o vento que me guiava pelo mundo. Ele sorriu para mim, e me vi sorrir de volta. Não precisava fingir, não precisava ser nada além do que era bem ali, sendo girada pelo campo, os fogos-fátuos dançando ao nosso redor, como dezenas de luas. (pág. 237/238) 
O final do livro, lá para página 300 o livro ainda fica bem melhor. Mais ação, aventura. Somos apresentados à outros personagens, nos aprofundando à eles, e também à situação do mundo feérico no momento. Tudo se torna mais amplo, a ser explorado, conhecido, desenvolvido.

A história é muito boa, o livro é com certeza cinco estrelas, mas algumas pessoas podem achar ele parado até quase o final, porque como eu falei ele realmente é uma introdução ao mundo e aos problemas que vão ser desenvolvidos. Garanto: os outros livros são ainda melhores. Meu preferidos dos três primeiros é o segundo livro: Corte de Névoa e Fúria, que é o próximo do especial desse mês. A autora me deixou extasiada com o livro, ainda bem que quando eu acabei de ler o primeiro já tinha a sequência em mãos para dar continuidade à leitura, e quando acabei de ler os três livros, a trilogia já era minha preferida da vida, mesmo eu quase não lendo fantasia.

Fiz uma montagem com algumas fanarts que achei no google, me perdoem por não ter os créditos, foi apenas porque não achei os autores. Mas se alguém souber pode deixar nos comentários, por favor. Essas imagens nos ajudam a, junto com as descrições, imaginar os personagens.

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Romance | 272 Páginas | Editora Arqueiro | 2011 | Classificação: 4/5.
Sinopse: Desde que perdeu sua esposa, Jacob Jankowski vive numa casa de repouso, cercado por senhoras simpáticas, enfermeiras solícitas e fantasmas do passado. Por 70 anos Jacob guardou um segredo. Ele nunca falou a ninguém sobre os anos de sua juventude em que trabalhou no circo. Até agora. Aos 23 anos, Jacob era um estudante de veterinária. Mas sua sorte muda quando seus pais morrem num acidente de carro. Órfão, sem dinheiro e sem ter para onde ir, ele deixa a faculdade antes de prestar os exames finais e acaba pulando em um trem em movimento - o Esquadrão Voador do circo Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra. Admitido para cuidar dos animais, Jacob sofrerá nas mãos do Tio Al, o empresário tirano do circo, e de August, o ora encantador, ora intratável chefe do setor dos animais. É também sob as lonas dos Irmãos Benzini que Jacob vai se apaixonar duas vezes: primeiro por Marlena, a bela estrela do número dos cavalos e esposa de August, e depois por Rosie, a elefanta aparentemente estúpida que deveria ser a salvação do circo. "Água para Elefantes" é tão envolvente que seus personagens continuam vivos muito depois de termos virado a última página. Sara Gruen nos transporta a um mundo misterioso e encantador, construído com tamanha riqueza de detalhes que é quase possível respirar sua atmosfera.
O livro conta a história de Jacob Jankowski, um senhor que mora em um asilo e cansando de ser tratado como inválido começa a relembrar a sua história. Foi um jovem que estava prestes a concluir a faculdade de veterinária, quando no dia da prova recebe uma trágica notícia. Sozinho, sem ter pra onde ir ou com quem contar ele foge. Triste, sem dinheiro, sem parentes e sem concluir sua graduação, ele acaba conseguindo um emprego em um circo itinerante, cuidando dos animais. Com tudo que estava passando e a nova vida a se adaptar, Jacob encontra nos animais um lugar reconfortante - especialmente em Rosie, o elefante estrela do circo. 

"Eu achava que preferia envelhecer à outra opção, mas agora já não tenho tanta certeza. Mas não há nada que se possa fazer em relação a isso. Só me resta passar o tempo esperando o inevitável, observando os fantasmas do meu passado se agitarem em volta do meu presente insignificante. Eles se chocam e se esbarram à vontade, principalmente por não haver nenhuma resistência. Parei de lutar contra eles."

Marlena - a estrela do número dos cavalos e esposa de August, o chefe do setor dos animais - também guarda um carinho especial por Rosie, e essa ligação unirá Marlena e Jacob, e juntos eles tentarão garantir aos animais do circo mais cuidados. Entre a turbulência da vida e a discriminação entre as classes de trabalhadores do circo, Jacob também relembrará de momentos incríveis que viveu naquele lugar que, durantes os espetáculos, parecia abrigar magia e encantamento.

A autora facilmente nos envolve na história, é como se estivéssemos ali e fizéssemos parte de tudo. É uma escrita que flui fácil, a narração é rica em detalhes mas apesar disso não é nem um pouco cansativa e quando acabamos a leitura a sensação de ainda estar envolvida na história é intensa. Um livro leve de leitura agradável, mas que também nos mostra problemas reais.

As cenas que nos mostra Jacob na velhice - "dias atuais" - são, por muitas vezes, divertidas. Quando mostra às enfermeiras da casa de repouso o quão forte ele é, e não permite que a idade limite-o ou o incapacite. E mesmo apesar da solidão, ele lembra que sua juventude, apenas de difícil, deixou muitas boas lembranças.

"O amor por esses animais me toma de súbito, uma inundação repentina, e aí está ele, sólido como uma rocha e fluido como a água."

Gostei muito da história, da escrita, do contexto. É tudo muito realista, envolvente, informal, direto e emocionante. Há alguns palavrões durante os diálogos, isso me incomoda um pouquinho, mas nada que interfira na qualidade da história ou na opinião geral. A forma como ela descreve alguns momentos especiais no circo, nos deixa com vontade de estar ali de verdade, de correr e procurar um circo para visitar. E isso é algo fantástico, conseguir nos envolver na história a esse ponto. O livro nos diverte, nos emociona, nos mostra um lado desencantado desse mundo de apresentações, mas que também é bem real. É um misto de emoções muito bom!

Faz alguns anos que li o livro, foi um dos primeiros que li quando comecei a amar esse mundo da literatura, mas ele me marcou muito e, para mim, tornou-se inesquecível. Guardo um carinho muito especial por essa história, e sei que assim como ela me cativou também irá cativar muitos outros leitores que ainda a conhecerão.

"Parece que estou num contínuo entra e sai em relação ao tempo e ao espaço." 

E algo super bacana é que Robert Pattinson estrelou o filme do livro em 2011, junto com a atriz Reese Witherspoon. Claro, o livro é bem mais incrível do que o filme, mas ainda assim gostei muito da adaptação, e achei que super vale à pena conferir. 

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